A morte de um jovem de 22 anos em um atropelamento na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Garça, terminou com a prisão em flagrante de uma mulher de 31 anos, enfermeira, suspeita de envolvimento no acidente e de deixar o local sem prestar socorro. A ocorrência foi registrada na madrugada deste sábado (31).
Segundo informações da Polícia Militar Rodoviária e do boletim de ocorrência registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília, a vítima estava em uma bicicleta motorizada com outro homem quando houve uma pane mecânica.
Durante a tentativa de fazer o veículo voltar a funcionar, o jovem acabou atingido por um automóvel. Com o impacto, foi arremessado em direção a uma canaleta de águas pluviais, enquanto a bicicleta foi projetada para o canteiro lateral. Ele morreu no local.
A Polícia Militar Rodoviária foi acionada pela concessionária responsável pelo trecho. Ao chegar, encontrou o jovem já sem vida. A equipe preservou a área para os trabalhos da Polícia Técnico-Científica, que também realizou perícia no automóvel posteriormente localizado.
Prisão na UPA
Conforme o registro policial, a mulher suspeita de conduzir o veículo seguiu viagem após a colisão e procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Garça. Os policiais chegaram até ela após receberem informações de que o pai da condutora havia comunicado sua localização e relatado que a filha estava em estado de choque.
Questionada, a mulher afirmou que trafegava pela rodovia quando sentiu ter atingido alguma coisa na pista. Como o trecho estava escuro, disse ter imaginado que se tratasse de um animal. Ela relatou que seguiu até a cidade, telefonou para o pai e depois procurou atendimento médico.

O automóvel, um Fiat Siena vermelho, apresentava danos no para-brisa, capô e para-choques, além de comprometimento do sistema de arrefecimento. Os estragos foram considerados aparentemente compatíveis com o atropelamento.
A mulher não apresentava lesões aparentes nem sinais externos de embriaguez, mas recusou-se a realizar o teste do etilômetro, por orientação de seu advogado. A recusa motivou as providências administrativas previstas na legislação de trânsito.
Condições da pista
A investigação também deverá considerar as condições do trecho e da bicicleta motorizada. Segundo o relato policial, a alça de acesso não possui iluminação pública nem acostamento. A testemunha informou que o veículo não tinha placa de identificação nem sistema de iluminação. Esses elementos, entretanto, não afastam automaticamente eventual responsabilidade da motorista.
Na análise inicial do caso, a autoridade policial considerou que há indícios de homicídio culposo na direção de veículo automotor, com a agravante de omissão de socorro, e de fuga do local do acidente. A decisão ressalta que uma possível contribuição da vítima para a colisão não é suficiente, isoladamente, para caracterizar culpa exclusiva do jovem.
A prisão em flagrante da mulher foi confirmada pela autoridade policial. Não houve arbitramento de fiança na delegacia porque, considerada a causa de aumento pela omissão de socorro, a pena máxima em tese supera quatro anos de detenção. A eventual concessão do benefício deverá ser analisada pelo Poder Judiciário.

