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Sincomércio quer abertura das lojas aos sábados até as 18h

Entidade patronal quer alterar Código de Posturas e argumenta que mudanças na jornada de trabalho exigirão maior flexibilidade das empresas; comerciários destacam expectativa de mais descanso

Rodrigo Viudes por Rodrigo Viudes
05/11/2026
em Cidade
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O Sindicato do Comércio Varejista de Marília encaminhou ofício à Câmara Municipal solicitando alteração do Código de Posturas para permitir a abertura das lojas das 9h às 18h em todos os sábados do mês. A entidade patronal argumenta que a reorganização das jornadas de trabalho, com a previsão de dois dias de descanso semanal remunerado, exigirá maior flexibilidade das empresas.

A proposta, entretanto, também coloca em evidência diferentes expectativas entre patrões e empregados sobre os efeitos das mudanças na legislação trabalhista: enquanto o setor empresarial defende a ampliação do período de funcionamento, a representação dos comerciários destaca a conquista de mais tempo para descanso e convivência familiar.

O que muda

Atualmente, o artigo 61, parágrafo 2º, do Código de Posturas de Marília permite que os estabelecimentos comerciais funcionem facultativamente em dois sábados por mês, das 9h às 17h. Nos demais sábados, o expediente está limitado ao período das 9h às 13h.

O Sincomércio quer modificar a legislação municipal para permitir o funcionamento das lojas das 9h às 18h em todos os sábados. O pedido foi encaminhado ao presidente da Câmara, Danilo Bigeschi (PSDB), para que os vereadores adotem as providências legislativas necessárias à alteração da regra.

A entidade fundamenta a solicitação nas mudanças constitucionais relacionadas à redução progressiva da duração máxima semanal do trabalho e à garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.

Segundo o sindicato patronal, as novas regras exigirão reorganização das escalas dos funcionários, especialmente no comércio varejista, que depende de equipes para atendimento, vendas, reposição e organização de mercadorias.

Argumentos patronais

Um dos principais argumentos apresentados pelo Sincomércio é a necessidade de compatibilizar a jornada individual dos trabalhadores com o período de funcionamento das lojas. A entidade utiliza como exemplo um modelo de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho, com oito horas diárias e dois dias de descanso.

Nesse cenário, caso o sábado integre os cinco dias trabalhados pelo funcionário, o sindicato considera necessário que o estabelecimento possa permanecer aberto por tempo suficiente para acomodar a jornada.

A autorização de funcionamento das 9h às 18h, com o intervalo intrajornada legalmente aplicável, permitiria cumprir oito horas efetivas de trabalho, sem exigir que todos os empregados permaneçam durante todo o expediente comercial.

O documento ressalta que a ampliação do horário de funcionamento não significaria, necessariamente, aumento da jornada individual. A intenção seria permitir escalas diferenciadas, com equipes trabalhando em períodos alternados, respeitados os limites legais de duração do trabalho e descanso.

O sindicato patronal também argumenta que o sábado representa um dos períodos de maior movimento do comércio, especialmente porque muitos consumidores não conseguem realizar compras durante a semana por compromissos profissionais.

Na avaliação da entidade, a restrição do atendimento até as 13h em determinados sábados pode reduzir oportunidades de vendas e prejudicar a competitividade das lojas físicas diante do crescimento do comércio eletrônico.

Pequenos negócios

O Sincomércio afirma que os efeitos da reorganização das jornadas podem ser especialmente significativos para pequenos e médios comerciantes, que teriam menor capacidade financeira para absorver despesas adicionais com pessoal.

No ofício, a entidade sustenta que a possibilidade de manter os estabelecimentos abertos por mais tempo permitiria distribuir melhor o fluxo de consumidores, organizar as equipes e preservar as condições operacionais das empresas. Também relaciona a medida à manutenção de empregos e ao fortalecimento da economia local.

O sindicato defende que a alteração do Código de Posturas não representa um privilégio ao empresariado, mas uma adequação da legislação municipal às transformações do mercado e às novas exigências relacionadas à jornada de trabalho.

Reação dos comerciários

A discussão também envolve os trabalhadores do setor. Procurado pelo Fala Cidade, o Sindicato dos Comerciários de Marília ainda não havia respondido nem apresentado posicionamento específico sobre o ofício do sindicato patronal até a publicação desta matéria.

Entretanto, em manifestação publicada no site da própria entidade, o presidente Mário Herrera destacou o descanso como um dos principais benefícios das mudanças na jornada de trabalho. Ele classificou o fim da escala 6×1 como uma vitória da sociedade e ressaltou a possibilidade de os trabalhadores aproveitarem mais momentos de convivência familiar, religiosa e esportiva.

Segundo Herrera, os comerciários estão entre as categorias que mais trabalham no país, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Na avaliação do dirigente, a redução da jornada permitirá que os trabalhadores tenham mais descanso e melhores condições de produtividade e segurança.

O presidente também manifestou confiança na adaptação progressiva do mercado de trabalho ao modelo 5×2, com 40 horas semanais, destacando a existência de um período de transição.

 

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Rodrigo Viudes

Jornalista formado pela Universidade de Marília (Unimar). Atua desde 1994. Começou como repórter esportivo no Jornal da Manhã, de Marília (SP). Permaneceu na função até 2008, quando passou para a editoria de Cidades. Deixou o jornal em 2011. Em março de 2012, foi convidado para trabalhar no BOM DIA em Bauru (SP). Foi efetivado editor-executivo em julho do mesmo ano. Permaneceu na função até março de 2013. Assumiu como editor-chefe e passou a prestar serviços na mesma função no Diário de S. Paulo, em São Paulo. Neste período fundou a JMG Comunicação. Em junho do mesmo ano, passou a escrever para as revistas ‘D Marília’, de Marília. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020 participou da implantação do 'Jornal D Marília', de cuja redação desligou-se em março, encerrando um período de quase sete anos de serviços prestados à Editora D Marília. Foi assessor da Pastoral da Comunicação (Pascom) em Marília e atua como colaborador do jornal 'Folha de S. Paulo'. Entre maio de 2017 e julho de 2019, foi membro da bancada de entrevistadores do Programa Roda Marília, da TV Cidade Marília (canal 9). Foi presidente da Associação Cultural Banda Marcial "Cidade de Marília" e membro suplente do Conselho Municipal da Cultura e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico de Marília. Entre novembro e dezembro de 2020, atuou como repórter freelancer do jornal 'O DIA' de Marília. De setembro de 2020 a julho de 2021 foi repórter e comentarista político do Programa 'Fala Cidade' das rádios Clube FM/Itaipu FM de Marília. Desde janeiro de 2020 é produtor de conteúdos da ​GM Mídia, de Belo Horizonte (MG). Entre março de 2023 e de 2024 prestou serviços de comunicação à Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT) de Pompeia (SP). Entre julho de 2024 e setembro de 2026 foi repórter freelancer do portal Marília Notícia. Em janeiro de 2025 ingressou no curso de Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), campus da Unesp em Marília. ​Desde outubro de 2026 atua como redator do site Fala Cidade.com de programa homônimo da Rádio Clube FM de Marília.

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