O vereador agente federal Junior Féfin (União Brasil) negou ter agredido a esposa, a médica veterinária Angélica Mourão Guimarães, em sua primeira manifestação pública na Câmara Municipal desde a abertura da Comissão Processante (CP) que apura denúncia envolvendo o casal.
Em discurso na tribuna durante a sessão ordinária desta terça-feira (3), ele apresentou sua versão sobre o episódio, afirmou que apenas conteve a mulher durante uma discussão motivada por uma suspeita de infidelidade e classificou a divulgação do caso como parte de um ataque político. Angélica acompanhou a manifestação no plenário, chegou de mãos dadas com o vereador e, segundo ele, fez questão de estar presente.
Versão do vereador
Féfin sustentou que nunca houve agressão física contra a esposa e atribuiu o episódio a uma crise conjugal provocada pela desconfiança de Angélica de que ele manteria um relacionamento extraconjugal. Segundo sua narrativa, a mulher teria interpretado mensagens recebidas em seu telefone funcional e publicações de páginas da internet sobre um vereador supostamente envolvido com uma amante como referências à vida pessoal dele.
O parlamentar afirmou que Angélica tinha acesso ao seu celular e que, durante uma discussão, ela teria tentado pegar o aparelho e as chaves do carro, demonstrando intenção de sair de casa em um momento de exaltação. Foi nesse contexto, segundo Féfin, que ele decidiu segurá-la para impedir que deixasse o imóvel.
“Nunca, mas jamais, jamais houve qualquer tipo de agressão”, declarou. O vereador reconheceu que segurou a esposa, mas apresentou o gesto como uma tentativa de contenção diante do que descreveu como um estado de desespero emocional. Segundo ele, a intenção teria sido evitar que Angélica saísse de casa e fizesse algo de que pudesse se arrepender.
Vídeo particular
Outro ponto central da manifestação foi a explicação sobre a gravação que integra o contexto da denúncia. Féfin afirmou que o celular caiu próximo ao casal durante a discussão e que decidiu filmar a situação para que Angélica pudesse observar posteriormente o que havia acontecido.
De acordo com o vereador, o registro não teria sido produzido para exposição pública, mas como uma forma de demonstrar à esposa que a situação havia fugido do controle. Ele negou ter encaminhado o vídeo a terceiros ou comentado seu conteúdo com familiares, amigos ou outras pessoas.
“Eu nunca encaminhei esse vídeo a ninguém. Ela era a única pessoa que sabia”, afirmou. Féfin também declarou que a esposa teria reconhecido posteriormente que estava enganada sobre a suposta traição e demonstrado arrependimento pela situação. Disse que o casal superou o episódio e que o relacionamento estaria fortalecido.
Ataque político
O vereador direcionou parte significativa do discurso às pessoas e aos grupos que levaram a denúncia à Câmara e se manifestaram publicamente sobre o caso. Sem apresentar nomes, acusou adversários de utilizarem a imagem de Angélica para atingir politicamente seu mandato.
Ele criticou especialmente a exposição do rosto e do nome da esposa durante manifestações na Câmara Municipal, afirmando que ela teria sido submetida a uma violência psicológica. “As únicas pessoas que causaram uma violência psicológica foram essas pessoas que divulgaram o rosto dela, o nome dela para ataque político para me atingir”, declarou.
Féfin também questionou a atuação das mulheres que estiveram na sessão anterior com cartazes e criticou o que classificou como tentativas de promoção pessoal e política a partir do episódio. Na avaliação do parlamentar, a denúncia teria sido instrumentalizada para desgastar sua imagem pública.
Embora tenha citado uma pessoa ligada ao prefeito Vinicius Camarinha (PSDB) como destinatária de uma mensagem enviada por Angélica durante o período de desentendimento, Féfin não revelou sua identidade, alegando respeitar a decisão da esposa de não expor o nome.
Vida privada
Na tribuna, Féfin insistiu na distinção entre sua atuação como agente público e a intimidade familiar. Argumentou que eventuais conflitos conjugais deveriam ser tratados entre os envolvidos ou levados às autoridades competentes, sem exposição política. “Minha vida não é uma fotonovela”, afirmou, ao justificar por que não havia se manifestado anteriormente sobre o episódio.
O vereador também declarou que Angélica nunca registrou boletim de ocorrência ou formalizou denúncia policial contra ele. Segundo sua versão, ela foi ouvida pela polícia, mas não apresentou representação contra o marido. Acrescentou que a esposa deverá ser ouvida pela própria Comissão Processante durante a investigação.
Ao final, afirmou que não teme a apuração e se definiu como um político honesto. Também disse que Angélica poderá decidir se buscará reparação judicial contra pessoas que, na avaliação dele, utilizaram indevidamente sua imagem.
Defesa na CP
A manifestação desta terça-feira ocorreu após a instalação da Comissão Processante, aprovada na sessão ordinária anterior, da qual Féfin não participou. O procedimento foi aberto para apurar denúncia envolvendo o vereador e uma suposta agressão à esposa, situação que poderá resultar em consequências político-administrativas, conforme o andamento dos trabalhos e a conclusão da investigação.
A defesa apresentada na tribuna representa a versão do parlamentar sobre os acontecimentos e não substitui a apuração formal da comissão. O colegiado deverá analisar os elementos que fundamentaram a denúncia, ouvir os envolvidos e examinar as provas disponíveis antes de apresentar suas conclusões.
A presença de Angélica no plenário e a declaração de Féfin acrescentam um novo capítulo público a um caso que deixou de se restringir à esfera privada quando foi levado ao Legislativo. A questão central da CP, entretanto, permanece: esclarecer as circunstâncias do episódio e verificar se houve conduta incompatível com o exercício do mandato parlamentar.
