A proposta do Sincomércio de ampliar até as 18h o funcionamento das lojas de Marília aos sábados abriu uma queda de braços entre representantes dos empresários e dos trabalhadores do comércio. O Sindicato dos Comerciários manifestou-se contrário à mudança e defendeu que a discussão sobre os horários seja mantida nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho, antes de qualquer alteração na legislação municipal.
A entidade representa mais de 15 mil comerciários e contesta a iniciativa do sindicato patronal de encaminhar à Câmara Municipal um pedido de alteração do artigo 51, inciso I, do Código de Posturas do Município. Para o presidente do Sindicato dos Comerciários, Mário Herrera, a solicitação antecipa uma decisão que deveria ser construída entre as duas categorias, dentro das negociações coletivas.
“A mudança, de forma unilateral, afeta toda a discussão da Convenção Coletiva”, afirmou Herrera. Segundo ele, representantes dos dois sindicatos estiveram reunidos na quarta-feira (5) para discutir questões como reajuste salarial, jornadas de trabalho de 42 e 40 horas, horários de funcionamento do comércio e cláusulas sociais e econômicas.
O sindicalista informou que já procurou a presidência da Câmara para pedir que o Legislativo aguarde o avanço das negociações entre patrões e empregados. “Posteriormente, quando chegarmos a uma solução sobre os horários, remeteremos aos nobres vereadores para que possam discutir, alterar e deliberar da melhor forma possível”, declarou.
Nova escala e manifestações
A divergência também envolve a discussão sobre a escala de trabalho 5×2, apontada no debate sobre a reorganização dos horários do comércio. Herrera avalia que o novo modelo não pode ser utilizado isoladamente como justificativa para ampliar o funcionamento das lojas. “Não podemos demonizar a nova escala, conquistada com muita luta e que valoriza o comerciário e sua família”, afirmou, defendendo que as diferentes possibilidades de jornada sejam negociadas coletivamente.
Herrera também afirmou que a entidade tem recebido manifestações de trabalhadores contrários à ampliação do expediente. “Estamos recebendo diversos telefonemas, mensagens de WhatsApp e manifestações nas redes sociais em que os comerciários estão se posicionando contrários e indignados com a possibilidade da mudança dos horários de sábado”, relatou.
Horários especiais
O Sindicato dos Comerciários argumenta ainda que Marília já dispõe de mecanismos para autorizar horários especiais de funcionamento, conforme o calendário comercial. Além dos dois primeiros sábados de cada mês, quando as lojas podem funcionar das 9h às 17h, há previsões específicas para períodos próximos a datas comemorativas, Black Friday e dezembro, quando o expediente também é ampliado.
Na avaliação de Herrera, esse conjunto de possibilidades demonstra que não há necessidade de uma mudança antecipada na legislação. “Já temos diversos dispositivos de funcionamento em horário especial. Precisamos respeitar o comerciário com trabalho e salário dignos”, ressaltou.
Patrões x empregados
A disputa coloca em lados opostos duas preocupações legítimas, mas com interesses distintos. De um lado, o Sincomércio defende maior flexibilidade para organizar escalas, atender consumidores e preservar a competitividade das lojas físicas diante do comércio eletrônico.
De outro, os comerciários temem que a ampliação do funcionamento aos sábados comprometa os benefícios esperados com a redução da jornada e a conquista de mais tempo de descanso.
