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Alvo de CP, Féfin nega agressão à esposa e fala em ataque político

Em discurso acompanhado pela mulher no plenário, vereador atribuiu episódio a uma crise conjugal; defesa prévia é entregue à comissão

Rodrigo Viudes por Rodrigo Viudes
03/11/2026
em Política
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O vereador agente federal Junior Féfin (União Brasil) negou ter agredido a esposa, a médica veterinária Angélica Mourão Guimarães, em sua primeira manifestação pública na Câmara Municipal desde a abertura da Comissão Processante (CP) que apura denúncia envolvendo o casal.

Em discurso na tribuna durante a sessão ordinária desta terça-feira (3), ele apresentou sua versão sobre o episódio, afirmou que apenas conteve a mulher durante uma discussão motivada por uma suspeita de infidelidade e classificou a divulgação do caso como parte de um ataque político. Angélica acompanhou a manifestação no plenário, chegou de mãos dadas com o vereador e, segundo ele, fez questão de estar presente.

Versão do vereador

Féfin sustentou que nunca houve agressão física contra a esposa e atribuiu o episódio a uma crise conjugal provocada pela desconfiança de Angélica de que ele manteria um relacionamento extraconjugal. Segundo sua narrativa, a mulher teria interpretado mensagens recebidas em seu telefone funcional e publicações de páginas da internet sobre um vereador supostamente envolvido com uma amante como referências à vida pessoal dele.

O parlamentar afirmou que Angélica tinha acesso ao seu celular e que, durante uma discussão, ela teria tentado pegar o aparelho e as chaves do carro, demonstrando intenção de sair de casa em um momento de exaltação. Foi nesse contexto, segundo Féfin, que ele decidiu segurá-la para impedir que deixasse o imóvel.

“Nunca, mas jamais, jamais houve qualquer tipo de agressão”, declarou. O vereador reconheceu que segurou a esposa, mas apresentou o gesto como uma tentativa de contenção diante do que descreveu como um estado de desespero emocional. Segundo ele, a intenção teria sido evitar que Angélica saísse de casa e fizesse algo de que pudesse se arrepender.

Vídeo particular

Outro ponto central da manifestação foi a explicação sobre a gravação que integra o contexto da denúncia. Féfin afirmou que o celular caiu próximo ao casal durante a discussão e que decidiu filmar a situação para que Angélica pudesse observar posteriormente o que havia acontecido.

De acordo com o vereador, o registro não teria sido produzido para exposição pública, mas como uma forma de demonstrar à esposa que a situação havia fugido do controle. Ele negou ter encaminhado o vídeo a terceiros ou comentado seu conteúdo com familiares, amigos ou outras pessoas.

“Eu nunca encaminhei esse vídeo a ninguém. Ela era a única pessoa que sabia”, afirmou. Féfin também declarou que a esposa teria reconhecido posteriormente que estava enganada sobre a suposta traição e demonstrado arrependimento pela situação. Disse que o casal superou o episódio e que o relacionamento estaria fortalecido.

Ataque político

O vereador direcionou parte significativa do discurso às pessoas e aos grupos que levaram a denúncia à Câmara e se manifestaram publicamente sobre o caso. Sem apresentar nomes, acusou adversários de utilizarem a imagem de Angélica para atingir politicamente seu mandato.

Ele criticou especialmente a exposição do rosto e do nome da esposa durante manifestações na Câmara Municipal, afirmando que ela teria sido submetida a uma violência psicológica. “As únicas pessoas que causaram uma violência psicológica foram essas pessoas que divulgaram o rosto dela, o nome dela para ataque político para me atingir”, declarou.

Féfin também questionou a atuação das mulheres que estiveram na sessão anterior com cartazes e criticou o que classificou como tentativas de promoção pessoal e política a partir do episódio. Na avaliação do parlamentar, a denúncia teria sido instrumentalizada para desgastar sua imagem pública.

Embora tenha citado uma pessoa ligada ao prefeito Vinicius Camarinha (PSDB) como destinatária de uma mensagem enviada por Angélica durante o período de desentendimento, Féfin não revelou sua identidade, alegando respeitar a decisão da esposa de não expor o nome.

Vida privada

Na tribuna, Féfin insistiu na distinção entre sua atuação como agente público e a intimidade familiar. Argumentou que eventuais conflitos conjugais deveriam ser tratados entre os envolvidos ou levados às autoridades competentes, sem exposição política. “Minha vida não é uma fotonovela”, afirmou, ao justificar por que não havia se manifestado anteriormente sobre o episódio.

O vereador também declarou que Angélica nunca registrou boletim de ocorrência ou formalizou denúncia policial contra ele. Segundo sua versão, ela foi ouvida pela polícia, mas não apresentou representação contra o marido. Acrescentou que a esposa deverá ser ouvida pela própria Comissão Processante durante a investigação.

Ao final, afirmou que não teme a apuração e se definiu como um político honesto. Também disse que Angélica poderá decidir se buscará reparação judicial contra pessoas que, na avaliação dele, utilizaram indevidamente sua imagem.

Defesa na CP

A manifestação desta terça-feira ocorreu após a instalação da Comissão Processante, aprovada na sessão ordinária anterior, da qual Féfin não participou. O procedimento foi aberto para apurar denúncia envolvendo o vereador e uma suposta agressão à esposa, situação que poderá resultar em consequências político-administrativas, conforme o andamento dos trabalhos e a conclusão da investigação.

A defesa apresentada na tribuna representa a versão do parlamentar sobre os acontecimentos e não substitui a apuração formal da comissão. O colegiado deverá analisar os elementos que fundamentaram a denúncia, ouvir os envolvidos e examinar as provas disponíveis antes de apresentar suas conclusões.

A presença de Angélica no plenário e a declaração de Féfin acrescentam um novo capítulo público a um caso que deixou de se restringir à esfera privada quando foi levado ao Legislativo. A questão central da CP, entretanto, permanece: esclarecer as circunstâncias do episódio e verificar se houve conduta incompatível com o exercício do mandato parlamentar.

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Rodrigo Viudes

Rodrigo Viudes

Jornalista formado pela Universidade de Marília (Unimar). Atua desde 1994. Começou como repórter esportivo no Jornal da Manhã, de Marília (SP). Permaneceu na função até 2008, quando passou para a editoria de Cidades. Deixou o jornal em 2011. Em março de 2012, foi convidado para trabalhar no BOM DIA em Bauru (SP). Foi efetivado editor-executivo em julho do mesmo ano. Permaneceu na função até março de 2013. Assumiu como editor-chefe e passou a prestar serviços na mesma função no Diário de S. Paulo, em São Paulo. Neste período fundou a JMG Comunicação. Em junho do mesmo ano, passou a escrever para as revistas ‘D Marília’, de Marília. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020 participou da implantação do 'Jornal D Marília', de cuja redação desligou-se em março, encerrando um período de quase sete anos de serviços prestados à Editora D Marília. Foi assessor da Pastoral da Comunicação (Pascom) em Marília e atua como colaborador do jornal 'Folha de S. Paulo'. Entre maio de 2017 e julho de 2019, foi membro da bancada de entrevistadores do Programa Roda Marília, da TV Cidade Marília (canal 9). Foi presidente da Associação Cultural Banda Marcial "Cidade de Marília" e membro suplente do Conselho Municipal da Cultura e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico de Marília. Entre novembro e dezembro de 2020, atuou como repórter freelancer do jornal 'O DIA' de Marília. De setembro de 2020 a julho de 2021 foi repórter e comentarista político do Programa 'Fala Cidade' das rádios Clube FM/Itaipu FM de Marília. Desde janeiro de 2020 é produtor de conteúdos da ​GM Mídia, de Belo Horizonte (MG). Entre março de 2023 e de 2024 prestou serviços de comunicação à Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT) de Pompeia (SP). Entre julho de 2024 e setembro de 2026 foi repórter freelancer do portal Marília Notícia. Em janeiro de 2025 ingressou no curso de Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), campus da Unesp em Marília. ​Desde outubro de 2026 atua como redator do site Fala Cidade.com de programa homônimo da Rádio Clube FM de Marília.

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