O vereador agente federal Junior Féfin (União Brasil) publicou um vídeo ao lado da namorada, a médica veterinária Angelica Mourão Guimarães, no final da manhã desta segunda-feira (26), horas antes da sessão da Câmara Municipal de Marília que votará a admissibilidade de uma denúncia contra ele.
O pedido de apuração foi apresentado após a divulgação de imagens que teriam registrado uma agressão contra a mulher, episódio que repercutiu nas redes sociais e motivou uma iniciativa formal de enfrentamento à violência contra as mulheres no município.
Na gravação, feita dentro de um veículo, Angelica afirma que o casal está bem e declara não ter apresentado denúncia. “A gente está bem, não tem nenhuma denúncia minha e essas pessoas não me representam”, diz. Em seguida, Féfin acrescenta: “Hoje, 26 de outubro de 2026. É político o negócio”.
Pedido de CP
A publicação ocorre em um momento decisivo para o futuro político do vereador. Na terça-feira da semana passada, o Comitê Municipal Intersetorial de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres protocolou uma denúncia na Câmara, solicitando a apuração dos fatos relacionados ao vídeo que circulou anteriormente. A admissibilidade do pedido será submetida à votação dos vereadores na sessão ordinária desta segunda-feira, prevista para as 16h.
A declaração de Angelica no vídeo e a avaliação de Féfin sobre uma suposta motivação política são manifestações dos dois envolvidos, mas não encerram, por si só, a apuração dos fatos que deram origem à denúncia.
A eventual ausência de uma denúncia apresentada diretamente pela mulher também não elimina automaticamente a possibilidade de investigação por outras vias, conforme a natureza dos fatos e os procedimentos legais aplicáveis.
Disputa política
O episódio ganha dimensão política adicional porque Féfin é o principal vereador de oposição ao governo do prefeito Vinicius Camarinha (PSDB), que conta com ampla maioria na Câmara Municipal. A proximidade entre a divulgação do vídeo e a votação legislativa coloca em evidência tanto a disputa política quanto a necessidade de distinguir as declarações públicas dos envolvidos dos elementos que deverão ser examinados institucionalmente.
A votação desta segunda-feira não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade do vereador. A eventual abertura de uma Comissão Processante dará início a um procedimento de apuração no âmbito do Legislativo, com observância das garantias legais aplicáveis. Até que haja conclusão, as circunstâncias do episódio e as responsabilidades envolvidas permanecem sujeitas à apuração.

