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Comitê pede Comissão Processante contra Junior Féfin

Denúncia apresentada à Câmara de Marília menos de 24 horas após divulgação de vídeo aponta possível quebra de decoro parlamentar e solicita apuração da conduta atribuída ao vereador

Rodrigo Viudes por Rodrigo Viudes
20/10/2026
em Política
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O Comitê Municipal Intersetorial de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres protocolou, no final da tarde desta terça-feira (20), na Câmara Municipal de Marília, uma denúncia com pedido de instauração de Comissão Processante (CP) contra o vereador agente federal Junior Féfin (União Brasil).

A iniciativa ocorre menos de 24 horas após a divulgação de um vídeo em que o parlamentar aparece com as pernas sobre o corpo da namorada, deitada de costas no chão. O documento aponta possível quebra de decoro parlamentar e pede que os fatos sejam apurados pelo Legislativo, sem pressupor condenação criminal ou responsabilidade antecipada do denunciado.

A denúncia é assinada por quatro mulheres: Francielle Bueno Araújo, coordenadora do comitê municipal; Fabiana Martins, vice-coordenadora; Tereza Aparecida Machado, coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher; e Caroline Arlochi Caleman. Elas apresentam o pedido na condição de cidadãs eleitoras e fundamentam a iniciativa no Decreto-Lei nº 201/1967 e no artigo 63 do Regimento Interno da Câmara.

“Nosso objetivo é fazer uma denúncia baseada com o que está na mídia para se apurar melhor os fatos, para a instauração de uma comissão processante para que sejam apurados os fatos”, afirmou Francielle Bueno Araújo.

Motivo da denúncia

O documento toma como referência uma reportagem publicada pelo site Marília Notícia na segunda-feira (19), que divulgou o registro audiovisual e relatou que a mulher reclama de sufocamento e dor no braço enquanto pede para ser solta.

A publicação também atribui ao vereador uma versão segundo a qual ele estaria contendo a companheira em razão do comportamento dela. As circunstâncias descritas, assim como a explicação atribuída ao parlamentar, deverão ser examinadas durante eventual instrução do processo.

As denunciantes sustentam que uma eventual violência física contra a companheira, caso comprovada, pode ser incompatível com a dignidade do mandato e da Câmara Municipal. O pedido ressalva, porém, que o episódio teria ocorrido em ambiente residencial e que a relação entre a conduta atribuída ao vereador e o decoro parlamentar precisa ser fundamentada e examinada especificamente.

Provas da acusação

A denúncia solicita a juntada da reportagem e do arquivo audiovisual, a obtenção da íntegra da gravação junto a quem legitimamente a detenha e, se necessário, uma análise técnica de autenticidade e continuidade. Também pede informações às autoridades competentes sobre eventual ocorrência ou investigação relacionada ao episódio, respeitados os limites legais de compartilhamento de documentos e eventuais sigilos.

Entre as diligências requeridas estão a oitiva da mulher envolvida, com proteção de sua intimidade e cuidados para evitar revitimização, e a garantia de manifestação do vereador, com possibilidade de produção de provas pela acusação e pela defesa. O documento ressalta que eventual histórico de agressões, boletim de ocorrência, laudo, investigação ou medida protetiva precisa ser confirmado, sem que sua existência seja presumida.

A denúncia também pede que os dados pessoais das autoras sejam mantidos sob acesso restrito, com anonimização de informações nas cópias destinadas à consulta pública, conforme decisão fundamentada. O requerimento invoca a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a preocupação com possíveis retaliações decorrentes da iniciativa.

Trâmite do pedido

O pedido protocolado não significa que a Comissão Processante tenha sido instaurada. As denunciantes solicitam que o documento seja submetido ao Plenário para deliberação sobre seu recebimento, o que deve ocorrer na próxima segunda-feira (26).

Caso a denúncia seja aceita, a comissão deverá ser constituída conforme o procedimento legal, com notificação do vereador, observância do contraditório e da ampla defesa e realização das diligências pertinentes.

Ao final, as autoras pedem que, se a infração for comprovada, a denúncia seja julgada procedente, com cassação do mandato mediante o quórum legal e decisão fundamentada. Também solicitam o encaminhamento de cópia ao Ministério Público para ciência e avaliação de medidas de sua competência.

Bancada feminina

Na Câmara, a vereadora Rossana Camacho (PSD), integrante da Procuradoria Especial da Mulher, afirmou que o órgão recebeu informações sobre o episódio por meio da imprensa. “É lamentável qualquer situação de violência que envolve mulher, independente de quem seja o autor”, declarou.

Rossana ressaltou a necessidade de esclarecer as circunstâncias do caso antes de qualquer conclusão. “Precisamos ouvir a vítima e saber o contexto todo do que ocorreu. Temos uma rede que dá proteção à mulher na cidade”, afirmou. A vereadora acrescentou que também aguarda as providências policiais.

Até o momento do protocolo, Junior Féfin não havia se manifestado sobre o pedido de abertura da Comissão Processante. A apuração político-administrativa pretendida pela denúncia não substitui eventual investigação policial nem representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade do vereador.

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Rodrigo Viudes

Rodrigo Viudes

Jornalista formado pela Universidade de Marília (Unimar). Atua desde 1994. Começou como repórter esportivo no Jornal da Manhã, de Marília (SP). Permaneceu na função até 2008, quando passou para a editoria de Cidades. Deixou o jornal em 2011. Em março de 2012, foi convidado para trabalhar no BOM DIA em Bauru (SP). Foi efetivado editor-executivo em julho do mesmo ano. Permaneceu na função até março de 2013. Assumiu como editor-chefe e passou a prestar serviços na mesma função no Diário de S. Paulo, em São Paulo. Neste período fundou a JMG Comunicação. Em junho do mesmo ano, passou a escrever para as revistas ‘D Marília’, de Marília. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020 participou da implantação do 'Jornal D Marília', de cuja redação desligou-se em março, encerrando um período de quase sete anos de serviços prestados à Editora D Marília. Foi assessor da Pastoral da Comunicação (Pascom) em Marília e atua como colaborador do jornal 'Folha de S. Paulo'. Entre maio de 2017 e julho de 2019, foi membro da bancada de entrevistadores do Programa Roda Marília, da TV Cidade Marília (canal 9). Foi presidente da Associação Cultural Banda Marcial "Cidade de Marília" e membro suplente do Conselho Municipal da Cultura e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico de Marília. Entre novembro e dezembro de 2020, atuou como repórter freelancer do jornal 'O DIA' de Marília. De setembro de 2020 a julho de 2021 foi repórter e comentarista político do Programa 'Fala Cidade' das rádios Clube FM/Itaipu FM de Marília. Desde janeiro de 2020 é produtor de conteúdos da ​GM Mídia, de Belo Horizonte (MG). Entre março de 2023 e de 2024 prestou serviços de comunicação à Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT) de Pompeia (SP). Entre julho de 2024 e setembro de 2026 foi repórter freelancer do portal Marília Notícia. Em janeiro de 2025 ingressou no curso de Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), campus da Unesp em Marília. ​Desde outubro de 2026 atua como redator do site Fala Cidade.com de programa homônimo da Rádio Clube FM de Marília.

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