Uma balconista de 49 anos denunciou à Polícia Civil uma possível fraude envolvendo a transferência de uma empresa para seu nome sem autorização, em Marília. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima afirma ter descoberto a existência do negócio após identificar débitos desconhecidos em seu cadastro de crédito.
O caso foi registrado como falsidade ideológica, crime previsto no artigo 299 do Código Penal, e será apurado pela Polícia Civil. O boletim foi registrado na terça-feira (20), às 16h50, na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília, com indicação de ocorrência na circunscrição do 2º Distrito Policial
De acordo com o relato, a mulher tomou conhecimento da situação em agosto deste ano, ao consultar seu cadastro em um aplicativo de proteção ao crédito e identificar restrições inicialmente associadas às operadoras de telefonia Vivo e Claro.
Ao procurar uma das empresas para questionar as cobranças, foi informada de que não havia dívida vinculada diretamente ao seu CPF. Posteriormente, descobriu que os apontamentos estavam relacionados a um CNPJ registrado em seu nome.
Prejuízo financeiro
A vítima relatou que também recebeu em sua residência uma correspondência com cobrança de aproximadamente R$ 2 mil referente a uma dívida ativa perante a Fazenda Pública. Ao procurar seu contador, foi informada de que havia ocorrido uma alteração societária em maio deste ano, pela qual a empresa, anteriormente pertencente a um homem e uma mulher, teria sido transferida integralmente para seu nome.
Segundo a denunciante, ela não participou de qualquer negociação para adquirir o empreendimento, não assinou documentos nem autorizou a transferência. A mulher suspeita que terceiros tenham utilizado indevidamente seus dados pessoais, possivelmente mediante acesso não autorizado à sua conta Gov.br e uso de assinatura eletrônica que afirma ser falsificada. Essas suspeitas ainda dependem de investigação e confirmação documental.
Além da dívida pública, estimada em R$ 2.018, a vítima relatou uma cobrança de aproximadamente R$ 239 atribuída à Vivo. Em relação à Claro, informou que o débito, inicialmente estimado em cerca de R$ 1 mil, teria aumentado para aproximadamente R$ 15 mil. Ela declarou não estar com os comprovantes das dívidas das operadoras no momento do registro, mas se comprometeu a apresentá-los posteriormente.
Suspeita de aquisição de aparelhos
Ainda conforme o boletim, ao procurar a Claro para pedir esclarecimentos, a mulher foi orientada a registrar a ocorrência policial e apresentar documentos que demonstrassem não ter sido responsável pelas contratações. Segundo a informação que recebeu da atendente, os valores cobrados poderiam envolver a aquisição de aparelhos celulares de alto valor vinculados ao CNPJ, e não apenas a utilização de linhas telefônicas.
A vítima afirma ainda enfrentar dificuldades para obter crédito e recuperar sua credibilidade financeira, apesar de negar ter contraído ou autorizado as obrigações. O documento aponta que o fato teria ocorrido em período incerto, com comunicação inicial em agosto. A investigação deverá esclarecer como ocorreu a alteração societária, se houve falsificação de assinatura eletrônica e quem teria realizado as operações questionadas.

