A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília cumpriu dois mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (5), durante a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga uma organização criminosa suspeita de falsificar medicamentos oncológicos e praticar lavagem de dinheiro.
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, em conjunto com a Polícia Civil. Em Marília, as diligências foram coordenadas pela DIG, sob o comando do delegado Luís Marcelo Perpétuo Sampaio.
Um dos alvos da investigação na cidade foi abordado pelos policiais civis, conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos e posteriormente liberado. Segundo as informações divulgadas, ele é suspeito de emprestar o próprio nome para atuar como intermediário, na condição de chamado ‘laranja’, na estrutura do esquema criminoso.
A ofensiva desta quinta-feira mobilizou equipes em seis municípios paulistas: Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e São Paulo. Ao todo, foram expedidos três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
Além das medidas policiais, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, de empresas relacionadas ao grupo e de pessoas que supostamente emprestavam seus nomes para movimentações financeiras. Também foi determinada a suspensão das atividades de sete empresas.
Medicamentos contra câncer
As investigações tiveram início em 2024, depois que o laboratório fabricante de um imunoterápico de alto custo, utilizado no tratamento de câncer, identificou a comercialização de uma unidade falsificada para um hospital de São Paulo. A venda teria sido realizada por uma distribuidora sediada em Araraquara.
Análises laboratoriais e perícia oficial confirmaram que o medicamento não continha o princípio ativo necessário para produzir o efeito terapêutico esperado.
A primeira fase da Operação Laziosi, deflagrada em novembro de 2024, apontou que a distribuidora atuava em conjunto com empresas sem estrutura operacional. Entre janeiro e novembro daquele ano, foram emitidas notas fiscais de saída do medicamento que ultrapassaram R$ 1,5 milhão, com destinatários em pelo menos sete estados brasileiros.
Mesmo depois da primeira ofensiva policial, o esquema teria continuado. Em abril de 2025, a mesma distribuidora vendeu nove unidades de outro medicamento oncológico falsificado a um hospital do interior paulista.
De acordo com o relato da instituição de saúde, uma das doses chegou a ser administrada em um paciente. As demais foram recolhidas pela empresa responsável pela comercialização e substituídas por frascos de um lote que apresentava características de carga roubada em Minas Gerais.
A nova etapa da operação busca interromper a comercialização de medicamentos que podem colocar em risco a vida de pacientes em tratamento contra o câncer, além de identificar e recuperar os recursos financeiros movimentados pela organização investigada.
O material apreendido nesta quinta-feira será submetido à análise para subsidiar a continuidade das investigações.

