O paleontólogo William Nava, diretor do Museu de Paleontologia de Marília, anunciou nesta quarta-feira (4) a identificação de novos fósseis de dinossauros saurópodes do grupo dos titanossauros em dois pontos da zona rural do município: a Serra de Avencas, na região oeste, e uma área próxima à estrada vicinal que leva ao distrito de Dirceu, na região norte.
Os animais eram herbívoros de grande porte, caracterizados pelo pescoço e pela cauda compridos, e habitaram a região durante o período Cretáceo, entre 80 milhões e 70 milhões de anos atrás. As descobertas ocorreram durante pesquisas conduzidas por Nava e colaboradores em áreas de exposição de rochas da Formação Marília.
Na Serra de Avencas, os achados são resultado de diferentes etapas de investigação. No final de 2023, Nava identificou um fragmento ósseo aflorando na superfície de um paredão de arenito. Pelas características, o material foi associado provavelmente à cintura pélvica de um titanossauro.
No final de 2024, o mestrando em paleontologia e geologia Daniel Higashi e a bióloga e geóloga Joyce Celerino, parceiros do paleontólogo em pesquisas do museu, também relataram a identificação de restos ósseos de dinossauros durante análises de rochas na mesma serra.
Em setembro de 2025, Nava encontrou outro fragmento associado a titanossauro, desta vez na parte superior do paredão rochoso. A posição do material exigiu cuidados especiais durante a retirada.
“O fóssil, provavelmente parte de um osso longo, estava praticamente solto numa das bordas da parte mais alta do paredão, exigindo cuidados na remoção, pois corria o risco de despencar em meio a muitas rochas que estavam fraturadas”, relatou.
Mais recentemente, no mês de outubro, o pesquisador identificou outro fragmento ósseo entre rochas que haviam desabado em consequência das chuvas na região. O material apresenta bom estado de preservação, permitindo observar tanto a superfície quanto a parte interna do tecido ósseo.
Costela de 80 centímetros
Na região norte de Marília, próximo à vicinal que dá acesso ao distrito de Dirceu, as pesquisas também resultaram em um achado considerado relevante pelo paleontólogo.
Há algum tempo, Nava registra fragmentos de ossos de dinossauros e dentes de crocodilomorfos em uma extensa área de arenitos da Formação Marília. Até então, entretanto, a maior parte dos materiais apresentava conservação limitada, dificultando a identificação.

O problema está relacionado à presença de cimento carbonático, uma estrutura mineral que envolve os fósseis e substitui boa parte de sua composição original, fazendo com que os vestígios se assemelhem a simples pedaços de pedra.
Recentemente, porém, o pesquisador identificou partes ósseas que correspondem a uma costela de aproximadamente 80 centímetros de comprimento, atribuída a um titanossauro.
O fóssil ainda está parcialmente preso ao arenito e deverá ser retirado em bloco para transporte ao laboratório do Museu de Paleontologia. A previsão é realizar a escavação após o encerramento da estação chuvosa, reduzindo o risco de danos ao material.
No laboratório, a peça passará por procedimentos de preparação, limpeza e colagem. A intenção é que, futuramente, possa integrar a exposição aberta ao público.
“Pretendo remover essa costela tão logo a estação chuvosa cesse, para evitar que o material fique mais danificado. No laboratório, a costela do dinossauro será preparada, colada e futuramente poderá ficar em exibição para o público, mostrando a riqueza paleontológica que temos pela região”, afirmou Nava.
Patrimônio regional
As novas descobertas reforçam a importância de Marília no cenário paleontológico brasileiro. Ao longo de 33 anos de pesquisas, William Nava identificou diferentes vestígios de titanossauros no município e em cidades próximas.
Os registros foram encontrados em diferentes pontos do entorno de Marília, especialmente nas regiões norte, oeste e sul, muitas vezes em cortes de estradas vicinais e rodovias. Parte dos fósseis também foi localizada durante obras de infraestrutura.
A presença de vestígios de dinossauros não se restringe ao território mariliense. Pesquisas e registros paleontológicos também identificaram materiais nas proximidades de Pompéia, Quintana, Echaporã, Gália e Lins.
Além de ampliar o conhecimento sobre os animais que habitaram a região há milhões de anos, os achados reforçam o papel do Museu de Paleontologia de Marília na preservação e divulgação desse patrimônio científico.
Vinculado à Secretaria Municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, o museu mantém pesquisas e atividades de divulgação que ajudam a revelar uma história muito anterior à ocupação humana do território.
