Uma mulher sugeriu que filhas de pessoas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fossem vítimas de estupro em um vídeo que circulou nas redes sociais nesta segunda-feira (26), em Marília. As declarações provocaram repercussão e levaram o Supermercado Florentino e a Universidade de Marília (Unimar) a divulgar manifestações públicas para repudiar o conteúdo e esclarecer que as opiniões expressas não representam as instituições.
No vídeo, a mulher, identificada como colaboradora do supermercado, aparece fazendo referência a eleitores de Lula e às filhas deles. “Você que votou no Lula, que tenham filhas, sejam todas, sem exceção, eu sei o que vocês pensou (sic) ‘estru’…. mesmo. Quero nem saber. Que enfiem o pau lá atrás e saia na frente. É isso. Sem mais”, declarou. Em outra publicação, ela escreveu: “que a casa de vocês sejam roubadas. E tudo de pior aconteça com vocês”.
As manifestações foram divulgadas após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (26), que confirmou a reeleição de Lula. Em Marília, porém, o petista recebeu menos votos que o concorrente, Flávio Bolsonaro (PL). A repercussão do vídeo ocorreu em meio à polarização política que marcou a disputa eleitoral.
Nota de repúdio
Em nota de repúdio, o Supermercado Florentino afirmou repudiar qualquer forma de violência, especialmente a sexual, além de ameaças e abusos contra crianças e adolescentes. A empresa confirmou que uma de suas colaboradoras aparece no vídeo usando o uniforme do estabelecimento, mas ressaltou que as declarações são de responsabilidade exclusiva da autora e não representam os valores, princípios ou posicionamentos da rede.
O supermercado também declarou que não aceita, não compactua nem incentiva manifestações que promovam, normalizem ou banalizem a violência, independentemente de posicionamentos políticos, ideológicos ou partidários.
A direção acrescentou que o uso do uniforme não significa autorização ou concordância da empresa com opiniões expressas em caráter particular e informou que os fatos estão sendo tratados com seriedade, com previsão de medidas internas e disciplinares cabíveis, observada a legislação vigente.
Posicionamento da Unimar
A Universidade de Marília também se manifestou após a repercussão do caso. Em nota à comunidade acadêmica, a instituição esclareceu que reconhece a autora das declarações como ex-aluna do curso de Direito, mas informou que ela não é atualmente estudante, não integra o corpo discente e não possui vínculo acadêmico ativo com a universidade.
A Unimar repudiou veementemente manifestações que considera incompatíveis com os princípios de respeito, responsabilidade e convivência democrática que orientam sua atuação acadêmica e institucional. A universidade reforçou ainda que as declarações são de responsabilidade exclusiva de sua autora e não representam o pensamento, os valores ou o posicionamento institucional da instituição ou do curso de Direito. A nota também pediu que eventuais referências à universidade e à graduação sejam contextualizadas, com a informação de que se trata de manifestação de uma ex-aluna sem vínculo estudantil atual.
O Fala Cidade procurou a rede social em que o vídeo foi divulgado, mas a conta atribuída à mulher teria sido apagada. Até o momento, não há, entre as informações disponíveis para esta reportagem, manifestação da envolvida sobre o conteúdo publicado ou a repercussão do caso. O espaço permanece aberto para que ela apresente sua versão dos fatos.

